Este texto discute, numa perspetiva crítica, os efeitos cumulativos e impactantes que poderão resultar da atual pandemia. Procura-se ir para lá dos números, recorrendo essencialmente a dados qualitativos, obtidos através de entrevistas realizadas antes desta crise eclodir, bem como a informação que vai sendo recolhida por via da constituição de um painel de casos em acompanhamento regular durante a crise. Os resultados, ainda provisórios, apontam num duplo sentido. Por um lado, as medidas implementadas não serão suficientes para evitar uma explosão do desemprego. Por outro lado, as primeiras vítimas começam a surgir: os desempregados imediatos, grupo composto pelos trabalhadores precários e pelos trabalhadores mais fragilizados nos seus vínculos laborais. A este grupo poderão juntar-se outros dois: o dos desempregados antepostos e o dos desempregados procrastinados.

Depois de ter sido um “não problema” nos últimos anos, o desemprego massivo corre o risco de se tornar novamente um problema, aliás, o problema, que o país terá de enfrentar através de políticas públicas eficazes e para todos. Conclui-se com a necessidade de agir rapidamente sobre as políticas no sentido de mobilizar os recursos necessários que impeçam que as inevitabilidades do costume – a pobreza e a exclusão social – tomem conta do nosso futuro coletivo.

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