pandemia associada ao coronavírus coloca problemas agudos do ponto de vista da saúde pública que afetam a todos. No entanto, os seus impactos na economia, nos mercados de trabalho e na distribuição de rendimentos estão a ser, igualmente, impressivos. Este estudo, elaborado por uma equipa do CoLABOR, realiza uma primeira análise aos impactos verificados e estimados da COVID-19 no mercado de trabalho português, assim como à forma como a sociedade está a experimentar a crise causada pelo coronavírus, do ponto de vista dos rendimentos e da transição para o teletrabalho. 

O estudo “Trabalho e Desigualdades no Grande Confinamento – perda de rendimento e transição para o teletrabalho” analisa indicadores de caracterização do mercado de trabalho português, cruzando-os com alguns elementos que já são conhecidos sobre a situação atual, para traçar um quadro das dinâmicas em curso, assim como das vulnerabilidades particulares, enfrentadas por grupos específicos de trabalhadores e empresas. Este exercício permite estimar quais estão a ser e quais vão ser os segmentos da força de trabalho mais afetados e de que forma o padrão de desigualdades preexistente se transformará.

Ao mesmo tempo, o estudo combina este exercício com uma análise das respostas às questões sobre rendimento e trabalho de um inquérito online sobre a Pandemia COVID-19 e os seus impactos em diversas esferas da vida das pessoas que vivem em Portugal, desenvolvido por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). O inquérito foi realizado entre 25 e 29 de março de 2020, junto de uma amostra de conveniência de cerca de 11.500 inquiridos, não representativa da população residente em Portugal. Por essa razão, estes dados não possibilitam que se façam inferências descritivas para qualquer população. No entanto, permitem que nos foquemos em dois aspetos reveladores: 1) as relações entre determinados atributos dos inquiridos e as suas opiniões e comportamentos; e 2) o seu discurso direto, em relação a algumas perguntas de resposta aberta incluídas no inquérito.

O estudo é da autoria dos investigadores do CoLABOR Pedro Adão e Silva, Renato Miguel do Carmo, Frederico Cantante, Catarina Cruz, Pedro Estêvão, Luís Manso e Tiago Santos Pereira.

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